O mês que passou não mudou nada do que sentia, foi um mês normal, sem mudanças. Ele estava se arrumando para ir à casa. não sabia que tipo de roupa colocar. A idéia de destruir a casa e morrer nem havia lhe passado pela cabeça. Aliás, não havia nem pensado sobre a casa em si. Seria apenas uma aventura. "Morrer seria uma grande aventura", já dizia o menino-voador que não queria crescer como ele. Só que ESTE menino não voava. Ao menos, não fisicamente. Nas noites em que se deitava, quando abria os olhos na escuridão e sentia o toque do horizonte, voava. Não via o chão, nem o teto, então se sentia voando. Até os raios de sol entrarem pelas falhas da janela, privando-o da falsa sensação de bem estar. Andando, foi até a porta e saiu de casa. Foi a pé até seu destino, pois, como diziam, "A casa dos espelhos fica perto de todos os lugares do mundo". Chegando lá, procurou seu RG e o cartão/convite, mas não achou. Havia um homem na entrada.
- Com licença, recebi o convite mas...
- Sim, pode entrar.
- Eu não trouxe o convite.
- Não tem problema, damos um jeito só com o RG mesmo, entre.
- Não trouxe o RG também...
- Só precisamos do número, sabe o número?
- Acho que sim...
Entrou, havia uma ficha a ser preenchida, ele começou a preencher, até que no campo RG, ele lembrou que não sabia seu RG. Pensou: "Nunca conferem..." e colocou vários números aleatórios. Entregou a ficha onde havia pego. Assim que colocou a ficha na mesa, uma porta se abriu. Ele presumiu que alguém sairia dela para explicar algo, mas ninguém saiu. Então ele entrou. Era um corredor com muitas portas numeradas. Em cima de cada porta haviam lâmpadas vermelhas e verdes. As vermelhas estavam acesas e as verdes apagadas, mas havia uma porta em que a verde estava acesa. Ele abriu e estava claro. Entrou e a porta se fechou.
Uma linha de produção, com um tipo de produto único. Cada unidade é levemente diferente da outra, mas a essência é a mesma. As diferenças se dão devido ao leve nível de artesanato que há no produto. Poderia dizer-se que há um toque único em cada produto, mas a fôrma é a mesma, a matéria é a mesma e a máquina que produz é a mesma. A sutil unicidade surge pela aleatoriedade.
18.1.05
16.1.05
004.025
Agora que estava crescido, não sabia o que fazer. Com seu maior amor em outro estado e sua mãe morta (assim ele a considerava), ficava vagando por entre vagas de emprego, não que isso fosse importante para ele. Tinha dinheiro, se realmente fosse uma emergência. Com o RG e o cartão na mão, olhou em volta. Não haviam muitas coisas em seu quarto. Uma cama, um armário, uma mesinha com papéis espalhados e uma estante com discos, CDs e fitas. Colcou o RG com o cartão na estante e voltou para o que estava fazendo.
15.1.05
004.024
"Felicitações à você. Foi escolhido entre milhares para passar pela casa dos espelhos. Compareça à casa depois de um mês da data de postagem deste cartão acompanhado do RG para que possa passar pela casa."
Recebeu a carta. Essa carta tinha a fama de chegar somente à pessoas profundamente deprimidas. E era o nome dele mesmo que estava ali. Ele tinha namorada que vivia longe. Seria este o motivo de uma depressão. Ele se sentia constante mal, por saudades e por ser impotente sobre a situação. Ele era um espectador da própria vida. Entendia por que tinha sido escolhido, agora que o fora; antes, nunca pensaria nisso.
Normamente davam festas aos escolhidos. Festas armadas pelos conhecidos (pessoas que sequer soubessem da existência do "contemplado"), mas, nesse caso, não houve.
Decidiu manter segredo. Não gostava de ninguém que iria vir e sua namorada não viria MESMO.
Guardou o cartão junto com seu RG no fundo da gaveta e queimou o envelope no fogão, deixando os restos de papel queimado sob a panela com uma comida estranha, porém boa, que havia preparado há alguns minutos com alguns ingredientes que ainda sobraram no armário. Voltando ao seu quero, pensou que nunca usava o RG para nada. Anotava o número em algumas fichas e formulários, mas sabia que nunca ninguém conferia. Talvez quando fosse comprar um carro ou algo grande e caro, pediriam o RG, mas para uma conta na locadora, não. Por isso o mantinha, ou melhor, o esquecia no fundo da gaveta. Resolveu tirar dali o cartão e o RG, ou esqueceria daqui a um mês de seu mais novo compromisso. No RG havia uma foto dele com 9 anos e uma assinatura que jurava não ter feito. Lembrou-se da infância, como todos, pensou em como tudo era tão mais simples... E naquela época, o que mais queria era crescer.
Recebeu a carta. Essa carta tinha a fama de chegar somente à pessoas profundamente deprimidas. E era o nome dele mesmo que estava ali. Ele tinha namorada que vivia longe. Seria este o motivo de uma depressão. Ele se sentia constante mal, por saudades e por ser impotente sobre a situação. Ele era um espectador da própria vida. Entendia por que tinha sido escolhido, agora que o fora; antes, nunca pensaria nisso.
Normamente davam festas aos escolhidos. Festas armadas pelos conhecidos (pessoas que sequer soubessem da existência do "contemplado"), mas, nesse caso, não houve.
Decidiu manter segredo. Não gostava de ninguém que iria vir e sua namorada não viria MESMO.
Guardou o cartão junto com seu RG no fundo da gaveta e queimou o envelope no fogão, deixando os restos de papel queimado sob a panela com uma comida estranha, porém boa, que havia preparado há alguns minutos com alguns ingredientes que ainda sobraram no armário. Voltando ao seu quero, pensou que nunca usava o RG para nada. Anotava o número em algumas fichas e formulários, mas sabia que nunca ninguém conferia. Talvez quando fosse comprar um carro ou algo grande e caro, pediriam o RG, mas para uma conta na locadora, não. Por isso o mantinha, ou melhor, o esquecia no fundo da gaveta. Resolveu tirar dali o cartão e o RG, ou esqueceria daqui a um mês de seu mais novo compromisso. No RG havia uma foto dele com 9 anos e uma assinatura que jurava não ter feito. Lembrou-se da infância, como todos, pensou em como tudo era tão mais simples... E naquela época, o que mais queria era crescer.
004.023
Óh, grandiosa Glang
Óh, gliterosa Glang
Que vens sempre a correr
Sem nunca fraquejar
Sabe, é por querer
Se algo derrubar.
Óh, decadente Glang
Óh, impertinente Glang
Usas roupas de glamour
Permaneces sempre atenta
Acende como um abajour
Boa música te alimenta
Óh, Glang, Glang!
Só tu tens meu respeito
com ou sem qualidade
Só tu tens o despeito
dessa sexualidade
Glang, glang
Todos que te seguem, boy
se enchem de alegria, joy
Viva o dadaísmo, Andy
Viva o brilho, dândi
Óh, gliterosa Glang
Que vens sempre a correr
Sem nunca fraquejar
Sabe, é por querer
Se algo derrubar.
Óh, decadente Glang
Óh, impertinente Glang
Usas roupas de glamour
Permaneces sempre atenta
Acende como um abajour
Boa música te alimenta
Óh, Glang, Glang!
Só tu tens meu respeito
com ou sem qualidade
Só tu tens o despeito
dessa sexualidade
Glang, glang
Todos que te seguem, boy
se enchem de alegria, joy
Viva o dadaísmo, Andy
Viva o brilho, dândi
12.1.05
004.022
Item fora da história.
Pessoas "reticentes"
Posso tirar que reticente vem de reticentimento.
Me vem a cabeça ressentimento.
E vejo na palavra o prefixo reti e o centimento (sufixo?).
Reti = coisa constante/reta ...
centimento = (?) sentimento
Não temos muito o que dizer. Para um "escritor profissional", quando se usa reticências, pode ser sobre algo que seja tão comum que todos entendem o que está no ar ou algo tão indescritível que cada um tem que pensar por si mesmo ou então... (completem aí vai...)
Pessoas "reticentes"
Posso tirar que reticente vem de reticentimento.
Me vem a cabeça ressentimento.
E vejo na palavra o prefixo reti e o centimento (sufixo?).
Reti = coisa constante/reta ...
centimento = (?) sentimento
Não temos muito o que dizer. Para um "escritor profissional", quando se usa reticências, pode ser sobre algo que seja tão comum que todos entendem o que está no ar ou algo tão indescritível que cada um tem que pensar por si mesmo ou então... (completem aí vai...)
4.1.05
004.021
Pensou em esquecê-la, pois pouparia sofrimento à ela, ao menos. Começou a tentar, mas pegou no sono. Acordou no horário de seu trabalho e saiu de casa. Foi até a escola e começou a procurar emprego. Havia uma vaga em uma indústria desconhecida, e ele mandou um e-mail para lá, marcando entrevista para o dia seguinte. E lá foi ele.
- Bom dia, eu vim pra entrevista...
- Só um momento.
Esperou, esperou...
- Pode entrar.
Entrou, e na sala onde estava agora havia um homem.
- Sente-se.
- Obrigado!
- Conhece nossa empresa?
- Pra falar a verdade, não.
- Ela não é muito conhecida aqui, mas no nordeste somos famosos.
Após as perguntas básicas, o homem não conseguia esconder excitação das respostas supostamente verdadeiras, dadas ali. Ele sabia o que o homem queria ouvir...
O homem mandou que aguardasse resposta, e assim se retirou da sala.
Voltou pra casa pensando "será que estou mais novo?" e começou a procurar alguma cicatriz "nova" (do futuro) ou algum machucado "velho" (do presente-passado). Não encontrou nem um, nem outro, mas descobriu uma coisa: o ponto de ônibus que devia descer era o próximo. Se levantou, fez sinal e desceu. Em casa, contou a mãe que havia pedido demissão pois havia arranjado um emprego melhor. Era um tiro no escuro, mas eles ligariam em sua casa, e sua mãe perceberia algo errado se não soubesse do "novo emprego"
- Bom dia, eu vim pra entrevista...
- Só um momento.
Esperou, esperou...
- Pode entrar.
Entrou, e na sala onde estava agora havia um homem.
- Sente-se.
- Obrigado!
- Conhece nossa empresa?
- Pra falar a verdade, não.
- Ela não é muito conhecida aqui, mas no nordeste somos famosos.
Após as perguntas básicas, o homem não conseguia esconder excitação das respostas supostamente verdadeiras, dadas ali. Ele sabia o que o homem queria ouvir...
O homem mandou que aguardasse resposta, e assim se retirou da sala.
Voltou pra casa pensando "será que estou mais novo?" e começou a procurar alguma cicatriz "nova" (do futuro) ou algum machucado "velho" (do presente-passado). Não encontrou nem um, nem outro, mas descobriu uma coisa: o ponto de ônibus que devia descer era o próximo. Se levantou, fez sinal e desceu. Em casa, contou a mãe que havia pedido demissão pois havia arranjado um emprego melhor. Era um tiro no escuro, mas eles ligariam em sua casa, e sua mãe perceberia algo errado se não soubesse do "novo emprego"
1.1.05
005.001
H. Ouvindo música francesa?
H. Você tá aí?
M. Sim. Oi.
H. Como vai a escrita?
M. Está fluindo. Vai entender
H. Sinto sua falta... (Not sent.)
M. Na verdade, estou de saída. Cuide-se
H. Certo. Cude-se também.
Something's gotta give.
H. Você tá aí?
M. Sim. Oi.
H. Como vai a escrita?
M. Está fluindo. Vai entender
H. Sinto sua falta... (Not sent.)
M. Na verdade, estou de saída. Cuide-se
H. Certo. Cude-se também.
Something's gotta give.
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