7-) Amor/que me move por cima de tudo/
que não permite eu ser vagabundo/
é o amor por ti-que-te veneeero.../
eu sei/que é clichê mas eu danço e canto/
esperneio, aprendo a ser santooo/
quando meu amor quiser/ou não ser, não seer/
me visto e tranvisto de cheee/
guevaara/de pescar com minhocas docinhas/
macias como teu externo/confeito bem feeito... perfeeito/
Não vou te perder/nunca, não, enquanto houver ar/
dou minha vida, meu deos, meu lar/
que não tenho senão por você/
sem você eu não sei viver
e se vivia antes de conhecer
era pura preguiça de morreer...
morreeer... (sempre tive a esperança de te encontrar) -> em francês.
morrer.
j'ai toujours ou l'espoir de toi trouver
Música: batidas confusas, desconexas, devagares, sonolentas e melancólicas. Voz arrastada.
Uma linha de produção, com um tipo de produto único. Cada unidade é levemente diferente da outra, mas a essência é a mesma. As diferenças se dão devido ao leve nível de artesanato que há no produto. Poderia dizer-se que há um toque único em cada produto, mas a fôrma é a mesma, a matéria é a mesma e a máquina que produz é a mesma. A sutil unicidade surge pela aleatoriedade.
24.10.05
005.015
Fama.
Pessoas gritando seu nome.
Talvez seja estranho
ver pessoas desconhecidas
cantando comigo
minhas coisas.
Me perdi nos meus desejos.
Nada, nada, nada nem ninguém
vai jamais me conhecer.
Mas também vejamos...
Nunca vou ser valoroso, jubiloso...
Me levo a crer que não sirvo a nada.
Fama que nunca virá.
Me arrepio, preciso disso às vezes
Fama...
Isso está atrasado.
Acho que tenho enormes chances.
Tudo me demora, mas me vem...
Pessoas gritando seu nome.
Talvez seja estranho
ver pessoas desconhecidas
cantando comigo
minhas coisas.
Me perdi nos meus desejos.
Nada, nada, nada nem ninguém
vai jamais me conhecer.
Mas também vejamos...
Nunca vou ser valoroso, jubiloso...
Me levo a crer que não sirvo a nada.
Fama que nunca virá.
Me arrepio, preciso disso às vezes
Fama...
Isso está atrasado.
Acho que tenho enormes chances.
Tudo me demora, mas me vem...
6.10.05
005.014
Durante seu trabalho maquinal e robótico, às vezes, nas pausas para fumar, ele fechava os olhos e via planícies. Fios dourados cortavam o céu e aviões caíam e pessoas morriam. Sentia o corpo quente e morria neste cenário, ao abrir os olhos
Antes que percebesse, o trabalho estava terminado. Indo para casa, de ônibus, sentia-se flutuando. Percebia velocidades irreais, como se seu corpo fosse mais rápido que o ônibus. O corpo se perdia da mente. Seus movimentos inconscientes o deixavam desorientado.
Antes que percebesse, o trabalho estava terminado. Indo para casa, de ônibus, sentia-se flutuando. Percebia velocidades irreais, como se seu corpo fosse mais rápido que o ônibus. O corpo se perdia da mente. Seus movimentos inconscientes o deixavam desorientado.
4.10.05
005.013
- Olha a luz refletida no chão, olha.
Nada ouviu.
- A parte que me cabe está com você?
Algo ouviu.
- Não, não está comigo.
E tudo se calou.
No dia seguinte, foi na farmácia.
- Dois Prozac por favor.
- Tem receita?
- Não.
- Então é R$ 20 mais caro cada caixa.
- Ok.
Deu uma nota de R$ 50 e mais duas de R$ 20.
- Pode ficar com o troco.
- Valeu!
Foi embora lendo a bula.
- ...contraindicações... efeito... superdosagem... hm...
Abriu as duas caixas em casa e despejou tudo na mesa. Pegou uma garrafa de vinho tinto. Encheu uma taça e começou. Tomou um... dez... as duas caixas. Sentiu-se mal. Sorriu para o céu que estava sob o teto. Caiu no chão. Errou. Flutuou. Sua cabeça sangrava. No mundo real, caiu em cima da taça. O sangue voava. Ele voava. Sonhou que era feliz, voando com as mariposas em volta das lâmpadas.
- Olha a luz refletida no chão.
As mariposas voavam em rasante para o chão e ele foi, sendo guiado pelo líder. Bateram todas contra o corpo dele, e ele sentiu, ao mesmo tempo, batendo e sendo batido. Como mariposa e como corpo inerte.
- Olha a luz refletida...
Acordou. Havia vômito no chão, ao lado dele. Havia sangue em seu cabelo. Foi se arrastando pelo chão.
- ... Olha... luz no sangue...
Ligou a água e deitou onde estava. A água passava e seus cabelos dançavam. Era fim de festa. Os fios se soltavam uns dos outros conforme o sangue semi coagulado os permitia. Casais se separavam, pactos de sangue eram quebrados.
Sentiu a alma subindo pela faringe e vomitou pela laringe. Gargarejou com a água e, sentado, acendeu um cigarro para repor a alma. A fumaça do cigarro e o sangue se igualaram, sangue e água no chão e fumaça e vapor no ar.
Sentiu-se limpo e livrou-se das roupas molhadas. Deitou na cama nu após cortar o pé nos cacos da taça.
- Olha...
Dormiu.
Chegando ao trabalho, acordou. Tinha dormido demais. Talvez por culpa dos remédios, ou talvez porque tivera um sonho bom ou um pesadelo realista. Tinha agora, além das olheiras terríveis, um curativo mal feito nas costas. Seus pés doíam e ele mancava graças às unhas encravadas. Mas já estavam todos acostumados com seu andar torto e suas olheiras. Às vezes, atacavam uns tiques nervosos em seu olho esquerdo. Eles se fechavam e se abriam rapidamente. Às vezes ficavam como um buraco de botão, sem estar aberto nem fechado.
- Você tá bem? - Era uma pessoa que perguntava isso todo dia.
- Tô vivo. - Estar vivo para ele era um suplício, mas servia para que as pessoas achassem que estava bem mesmo sem precisar mentir.
Nada ouviu.
- A parte que me cabe está com você?
Algo ouviu.
- Não, não está comigo.
E tudo se calou.
No dia seguinte, foi na farmácia.
- Dois Prozac por favor.
- Tem receita?
- Não.
- Então é R$ 20 mais caro cada caixa.
- Ok.
Deu uma nota de R$ 50 e mais duas de R$ 20.
- Pode ficar com o troco.
- Valeu!
Foi embora lendo a bula.
- ...contraindicações... efeito... superdosagem... hm...
Abriu as duas caixas em casa e despejou tudo na mesa. Pegou uma garrafa de vinho tinto. Encheu uma taça e começou. Tomou um... dez... as duas caixas. Sentiu-se mal. Sorriu para o céu que estava sob o teto. Caiu no chão. Errou. Flutuou. Sua cabeça sangrava. No mundo real, caiu em cima da taça. O sangue voava. Ele voava. Sonhou que era feliz, voando com as mariposas em volta das lâmpadas.
- Olha a luz refletida no chão.
As mariposas voavam em rasante para o chão e ele foi, sendo guiado pelo líder. Bateram todas contra o corpo dele, e ele sentiu, ao mesmo tempo, batendo e sendo batido. Como mariposa e como corpo inerte.
- Olha a luz refletida...
Acordou. Havia vômito no chão, ao lado dele. Havia sangue em seu cabelo. Foi se arrastando pelo chão.
- ... Olha... luz no sangue...
Ligou a água e deitou onde estava. A água passava e seus cabelos dançavam. Era fim de festa. Os fios se soltavam uns dos outros conforme o sangue semi coagulado os permitia. Casais se separavam, pactos de sangue eram quebrados.
Sentiu a alma subindo pela faringe e vomitou pela laringe. Gargarejou com a água e, sentado, acendeu um cigarro para repor a alma. A fumaça do cigarro e o sangue se igualaram, sangue e água no chão e fumaça e vapor no ar.
Sentiu-se limpo e livrou-se das roupas molhadas. Deitou na cama nu após cortar o pé nos cacos da taça.
- Olha...
Dormiu.
Chegando ao trabalho, acordou. Tinha dormido demais. Talvez por culpa dos remédios, ou talvez porque tivera um sonho bom ou um pesadelo realista. Tinha agora, além das olheiras terríveis, um curativo mal feito nas costas. Seus pés doíam e ele mancava graças às unhas encravadas. Mas já estavam todos acostumados com seu andar torto e suas olheiras. Às vezes, atacavam uns tiques nervosos em seu olho esquerdo. Eles se fechavam e se abriam rapidamente. Às vezes ficavam como um buraco de botão, sem estar aberto nem fechado.
- Você tá bem? - Era uma pessoa que perguntava isso todo dia.
- Tô vivo. - Estar vivo para ele era um suplício, mas servia para que as pessoas achassem que estava bem mesmo sem precisar mentir.
2.10.05
005.012
Fazia tempo que estava daquele jeito. Passando madrugadas à meia-luz, cheias de ideias sobre Lítio e vontade de experimentar a felicidade instantânea do Prozac que um dia lhe contaram. Trabalhava meio período e dormia quatro horas por dia, sendo duas de tarde e duas antes do trabalho (entre as 7 e as 9 da manhã).
Juntava dinheiro para quando achasse alguém. Procurava silenciosamente enquanto escrevia textos mentalmente. As pessoas passavam e ele procurava. Alguém interessante passava e ele imaginava como poderia ser se alguém do outro lado tornasse o contato possível. Usava broches e camisetas das bandas que ouvia, quase sempre desconhecidas, com a intenção única e exclusiva de chamar quem ele procurava, mas os broches nunca diziam nada, principalmente porque ele cruzava os braços sobre eles. Um dia saiu com os braços abertos. Não sentiu diferença alguma. A noite desse mesmo dia ainda corria quando ele recebeu em sua mente a ideia de fechar-se novamente. Veio-lhe a ideia de parar de procurar. Surgiu em sua cabeça uma vontade utópica de suicídio. O sentido de tudo passou raspando por sua mão, mas ele não pegou. Procurava outra coisa. Procurava um milagre, um remédio, uma arma qualquer ou o mais inesperado: uma mão amiga. Por fim, tateou um cortador de unha e produziu uma unha encravada. Tinha o hobby de cultivar unhas encravadas. Limpava-as, tirava pus e sangue delas. Tratava delas com carinho e ódio. Por vezes, enfiava uma agulha quando estava quase cicatrizando.
Ele, com suas unhas, vivia num mundo externo. E a solidão nesse mundo era sufocante, tão sufocante quanto a necessidade de alguém.
Juntava dinheiro para quando achasse alguém. Procurava silenciosamente enquanto escrevia textos mentalmente. As pessoas passavam e ele procurava. Alguém interessante passava e ele imaginava como poderia ser se alguém do outro lado tornasse o contato possível. Usava broches e camisetas das bandas que ouvia, quase sempre desconhecidas, com a intenção única e exclusiva de chamar quem ele procurava, mas os broches nunca diziam nada, principalmente porque ele cruzava os braços sobre eles. Um dia saiu com os braços abertos. Não sentiu diferença alguma. A noite desse mesmo dia ainda corria quando ele recebeu em sua mente a ideia de fechar-se novamente. Veio-lhe a ideia de parar de procurar. Surgiu em sua cabeça uma vontade utópica de suicídio. O sentido de tudo passou raspando por sua mão, mas ele não pegou. Procurava outra coisa. Procurava um milagre, um remédio, uma arma qualquer ou o mais inesperado: uma mão amiga. Por fim, tateou um cortador de unha e produziu uma unha encravada. Tinha o hobby de cultivar unhas encravadas. Limpava-as, tirava pus e sangue delas. Tratava delas com carinho e ódio. Por vezes, enfiava uma agulha quando estava quase cicatrizando.
Ele, com suas unhas, vivia num mundo externo. E a solidão nesse mundo era sufocante, tão sufocante quanto a necessidade de alguém.
27.9.05
005.010
Não, nunca tive ninguém pra contar pra sempre. Um amigo de infância, não, nunca tive. Não tenho mais chance de ter, não, não, nunca mais. Foi isso que me faltou e que vai faltar sempre, sempre, sempre. Quando ainda havia chance, não tinha noção alguma do que ia fazer comigo. Noção nenhuma mesmo. Estou cansado, barf barf, preciso dozmir, dormir, ZZZ. Não posso mais viver desse jeito assim chato, tec, tec, sabe? Tec. Não vou ter filhos, coitados, filhos pobres não. Dinheiro dinheiro, Tec, salário pouco, tec. Clic. Ronc. Rip.
1.9.05
005.011
Just holding untill the final day come...
Buuull shit.
Spong Bob laughs and points at my face.
É profundo demais pra escrever.
Não tenho essa habilidade.
Fuck...
Drawing.
Buuull shit.
Spong Bob laughs and points at my face.
É profundo demais pra escrever.
Não tenho essa habilidade.
Fuck...
Drawing.
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