19.4.05

004.099

Saudade que aumenta
aumenta a distância
Não posso perder o que não tenho
Broxei lendo Camões...

18.4.05

004.098

Todas essas coisas
os milagres da engenharia
os odores passados
pessoas que me lembram pessoas que eu queria esquecer
ícone da ultra violência em mãos
pássaros livres como só eles
formigas, homens e carros passam carregando
fica mais e mais triste.
e mais e mais triste.
quem garante que se eu pular
o fim chega antes de acabar a queda?

o culpado da péssima letra é o ônibus!!!

14.4.05

004.097

Menos uma semana, menos um mês
Não surpreenda-se se me encontrar morto
ao fim de um dia qualquer.
Assim que o meio me alcançar,
o fim será concretizado.
Não tenho vontade de fazer algo
sem saber por que é feito.

12.4.05

004.096

Um pomar de demais.
Um pé de demais.
Pego um demais
do pé de demais
e como demais.
Demais descendo pela minha garganta
O pé de demais está de pé.
De pé demais ele está.
Em meu estômago, chega demais.
Demais. Pé de demais.

10.4.05

004.094

Como saber se esqueci de algo?
É insuportável saber que não lembro de tudo.
Se ontem fiz algo e não vi,
então fui eu quem fez?
Eu não estava presente
e não sei se há algo para me lembrar.
Ao menos, sei de algo para me esquecer.

004.093

O sono que vinha, eram olhos pesados
Insônia implacável.
As almofadas de pano sintético cricrilam...

9.4.05

004.092

Parece também que tive perdas de memória para fatos recém ocorridos.

Perdi raciocínio na área de Ortografia.

004.091

Primeira vez

Os efeitos começaram
Minha letra está pior
Ouço o travesseiro borbulhando
Enquanto me movo, sinto tonturas
Restos de objetos deixam rastros em meu olho.
Muita sonolência, nada de fome.

8.4.05

004.090

Desejo é inerente, a traição é opção.
Queria me dar a chance de novas amizades
e um provável relacionamento,
esquecer que amo alguém que está distante demais
lembrar de quem já fui, um presente virtual.

004.089

Uma primeira semana
que foi mais um ano
foi um semano.
Interessante e cômica,
muitos risos sonolentos.
Dê me calor
para que eu mude
de estado mental.
Estou sólido.
quero leveza do gás
para voar em ares que entram
pelos orifícios.
Minha língua sangra.

7.4.05

004.088

Me parece boa
a síntese dessa rotina
Me impede de pensar o mal
pois me impede de pensar.
Não me deixa fazer maldades
pois nada mais consigo fazer
além de seguir a simples rotina.
Sim, é um gran finale essa rotina.

4.4.05

004.095

As quinas das paredes se dobram enquanto eu passo.
Majestade das portas me sinto.
As bolas azuis que me diziam,
só as vi quando olhava o céu.
Apareciam sirenes de polícia sem viaturas
O relógio se duplicava e os traços de meu corpo se desfaziam pelo ar.
Cabelos da época em que os tive me caiam sobre os olhos
(Tentava tirá-los, mas não estavam ali para isso.)
Não estavam ali. Teias de aranha.

1.4.05

004.087

Há pressa num tempo que não passa
Há pressa, pois não só o tempo
mas nada tem passado
Há fim por este caminho?
Há pressa de viver e de morrer
(o que vier primeiro)
Há pressa de sair disso,
vida-morte-vida-inerte.
O que não há, além de nada?
Há leis de antigos
e há leis de modernos.

004.086

À Quem Interessar Possa

Se tivéssemos a chance de nos falar
quando colocasse a hierarquia social de lado,
mesmo assim, não saberia o que quero que saiba.
Não sei me expressar,
sequer com meus iguais,
com você não seria diferente.
Sua beleza me atrapalha,
mas mesmo se fosse monstruosa,
não falaríamos.
Não tenho chance alguma
de pensar em conhecer-te,
por imposições que me colocaram
quando infante.
Levei à sério os conselhos
daquela que botou no mundo:
"Não fale com estranhos"
"Não beba, não fume"
"Não seja feliz."

004.085

Hoje verei o que a T.V. esconde
A feiúra de quem não é tão belo
Na T.V., a jovem me parece tão bela
Sua vozinha suave, sua capacidade de atuação
Veremos hoje se é assim ou se há correção
Sim, sim, verei quem é a verdadeira
a beleza irá me espantar e me escravizar?
Será que serei escravo de um amo ausente?
Condenado à nada fazer, estou?

O dia em que vi Débora Falabella em carne e osso. Ah, mais um primeiro de Abril sem mentiras (?)