28.12.04

004.020

Pensou em tudo que... algo já havia mudado.

Pensou em não mais mudar nada, tentaria agir naturalmente com tudo. Mas seria difícil "manter" tudo agora que havia perdido o emprego que o faria viajar, faria-o conhecer o andrógeno narcisista que o faria conhecer as fotos de Radiohead disponibilizadas pela garota que seria o amor atual (atual do futuro). Pensou que deveria mudar tudo também... entrou na internet, foi falar com seu antigo amor.
- Halo.
- Oi! Como estás meu querido?
- Tenho um problema...
- Posso ajudar?
- É... não vou mais te visitar. Perdi o emprego.
- Hm... não dá pra dar um jeito?
- Mesmo que eu fosse, o que eu faria aí?
- O que você quiser.
- Claro... que tal se eu roubar seus discos?
- Não... não...
- Não vou.
- OK.
- Tiao
- Bye...
Com isso, procurou seu amor "atual". Achou. Olhou. E agora? Não sabia se falava "Oi, te amo" ou se contava a verdade a ela, ou se tentava despertar algo nela... por fim, não falou nada.

25.12.04

004.019

Olhou para o relógio. Saiu do banheiro suado e sem saber o porque de nada. Pensou em tudo que poderia mudar. Poderia evitar constrangimentos e adiantar prazeres. Mas algo já havia mudado. Com aquela ida a escola, não foi ao trabalha (que tinha na época em que estava). Se lembrou disso e foi até o ponto de ônibus correndo. Entou, pagou, sentou, chegou. Foi até a portaria e procurou o crachá na mochila, e o achou. Entrou e foi falar com o superviros sobre o atraso de quase três horas e meia.
- Com licença...
- Chegou agora?
- É...
- Justificativa?
- Fui.. na escola...
- Resolver problemas?
- É...
- Já foi ontem.
- Fui?
- Não se lembra?
- Devo ter ido...
- Foi ou não???
- Fui, fui...
- E hoje de novo?
- ... é?
- Tá... pega suas coisas. Tá demitido.
- Mas... não foi assim que aconteceu...
- No primeiro mês, duas faltas e três atrasos? Não... Pode ir embora.
- Não foi assim! Eu ainda nem viajei!
- Pegue suas coisas.
Saiu dali mais perdido. Não era assim! Ele ia ser despedido por atraso, mas não no primeiro mês! Iria receber o salário para ir viajar, mas, sem emprego, não iria mais. Chegou em casa sem saber o que iria dizer a sua mãe. "Mão, voltei no tempo, por isso fui demitido. Fala pro seu chefe tirar o dinheiro dele do Banco Santos pois ele vai falir no fim do ano". Não podia fazer isso. Seria levado para psiquiatras e essas coisas. Se deitou na cama. Pensou e pensou. Decidiu fingir que ainda trabalha. Lembrou de falar com o "amor" da época (que, no momento, não significava mais nada) que não iria poder ir, pois fora demitido, mas só poderia fazer isso mais tarde, quando os telefonemas eram mais baratos. Então dormiu. Acordou com a buzina de sua mãe no portão.

24.12.04

004.018

Estava triste, mas não infeliz. Tinha conseguido alguém que o amava reciprocamente, mas estavam separados por quilômetros. Falavam pela internet. Ia vivendo assim, esperando até que pudessem se reencontrar. Já houvera outra viagem para conhecer outra pessoa, mas foi "sem sucesso". Houve também antes do atual namoro, um relacionamento desastroso, apressado e solitário. Coisas que ele às vezes esquecia. Ainda estudava, e às vezes tinha aulas tão tediosas que dormia. Foi numa dessas que aconteceu...

* * *

Acordou com seu amigo glam lhe sacudindo. Ainda estava na escola, sentado no mesmo canto dos últimos dois anos. A aula havia acabado e ele havia dormido demais, para variar.
- Acorda aí! Acabou a aula!
- Hum-hum... que horas são?
- Não tenho relógio, você que tem!
- Ah... vou ter que pegar meu celular...
Com isso, reparou que estava com seu relógio azul, citizen, no pulso. o relógio que havia sido roubado há 3 meses, junto com sua câmera digital ganhada em seu aniversário, há 6 meses.
- Meu relógio! Como?
- Seu relógio come?
- "Come" o quê???
- O relógio?
- Come?
- É! Come, come... eu acho que você ainda não acordou...
- Mas... meu relógio foi roubado! Lembra? Junto com a minha câmera!
- Que câmera???
- A minha digital!
- Nem sabia que você tinha uma...
- Como assim? Eu trouxe ela pra escola!
- EU não vi.
- E o meu relógio?
- Que que tem?
- por que ele tá aqui?
- Cara... você dormiu demais... eu vou embora...
Ficou perdido. Seu relógico estava ali mesmo. Fechou o caderno e foi embora também. No caminho do ponto de ônibus, encontrou uma garota que conhecera há 6 meses no curso pré-vestibular que fazia. Ela segurava um pacote de bolachas de morango. Ele acenou para ela conforme se cruzaram. Ela escondeu o pacote e olhou para ele com uma cara desconfiada e seguiu seu rumo. Ele não entendeu novamente. Foi até o ponto de ônibus e chegou em casa normalmente. Não havia ninguém. Foi para seu quarto e dormiu. Sua mãe foi o chamar para o jantar, mas ele apenas recusou. Acordou com sua mãe o sacudindo.
- Vai, vai! Você tá atrasado!
- Tô indo...
Se levantou, se vestiu, procurou a apostila do curso, desistiu, pois estava atrasado, mas encontrou, no meio da bgaunça, uma carta ainda fechada, do Rio de Janeiro, de sua "ex-alguma-coisa-que-nem-ele-sabia". Foi para visitá-la que ele havia ido para lá, há 9 meses. Pegou a carta e saiu. Correu atrás do ônibus e entrou. Sentou-se do lado esquerdo, nas cadeiras únicas, pegou a carta e começou a ler.
"Meu querido!
Que bom que vens me visitar!..."
Parou de ler. "Como assim, visitar?" pensou. Já havia ido, e já havia "terminado" "tudo" (que "tudo", ninguém nunca soube). Olhou a carta, datada de 31/03/2004. Achou estranho, pois estava em Dezembro do mesmo ano! Não sabia o dia pois sempre se perdia nas datas, mas, fazia tempo aquele dia "31". Pensou. Figuras voavam pela janela do ônibus. Relógio, carta, câmera... datas... a menina da bolacha...
- O que aconteceu comigo? - falou em voz baixa no ônibus. Pediu para parar no ponto da escola onde haviam muitos rostos conhecidos. Seu amigo glam não estaria lá, havia conseguido um estágio há dois meses, mas poderia haver alguém qualquer. Chegou e foi para o laboratório de informática. Para sua surpresa, seu amigo glam estava lá.
- Você não devia tá trabalhando? - falou
- Heim?
- Trabalhando! Que dia é hoje?
- É sexta.
- Então!
- Então o que?
- As pessoas trabalham de sexta!
- É, o que VOCÊ tá fazendo aqui?
- Eu o que?
- Pediu demissão?
- Do que?
- Tá louco você... o que você tá fazendo aqui?
- Eu tô confuso... matei aula do cursinho pra falar com alguém conhecido...
- Que cursinho?
- Cursinho do Sindicato.
- Tá, tá... você que tá me confundindo...
Ficou pensando "Relógio, câmera, carta, trabalho..."
- TEMPO!
- O quê?
- O TEMPO MUDOU!
- Não sei... isso é papo de quem tá sem assunto igual no filme da Amélie. "se fala do tempo que se faz por medo do tempo que se passa".
- Mas é isso mesmo! O tempo NÃO passou! Ou voltou, sei lá!
- Você nunca bebeu antes... mas hoje, enfiou o pé na jaca, heim?
- O tempo... que dia é hoje?
- Sexta, mas você já perguntou isso...
- Do mês!
- Dia dois.
- De que mês?
- Mês... Março... não, Março foi mês passado...
- O tempo!
Com isso, ele saiu correndo até o banheiro. Se trancou num cubículo e ficou em silêncio até que seu relógio que havia sido roubado (mas estava ali) apitou uma hora cheia.

23.12.04

004.017

É culpada por minha infelicidade.
Se não tivesse aparecido em minha vida,
me dado tanta felicidade
e ido embora
não estaria assim,
agora.
Estava acostumado a ser
sozinho.
Agora te amo e não mais ficar
só.

004.016

Sonhei. Um sonho que mexeu comigo.
Voltava em mais ou menos um ano.
Na primeira parte do sonho, a escada era destruída. Computadores, armários e carteiras pelo chão. Então, fugindo da bagunça, vou até a cantina, onde encontro meu amigo E.. Aceno para uma pessoa conhecida no cursinho (que fiz no fim desse ano). Ela estava com um pacote de bolacha sabor morango e ignorou meu aceno. Falei com E.. "Não conheço PU.! Não fui nem ao Rio ainda! E você pode desistir da sua D.P. de matemática, você vai bombar. Ou então se esforce mais." Fui conversando com ele pela escola, que já estava arrumada.
Se eu tivesse a chancer de mudar tudo, mudaria? Mudaria minha viagem ao Rio? Anteciparia o encontro com PU.? Aceitaria aquele emprego que tanto me ferrou por ter recusado? Participaria de bolões que me lembrasse dos resultados? Não sei o que faria. Poderia poupar sofrimento a tantas pessoas... Mas outras coisas aconteceriam, afinal...

14.12.04

004.015

Tudo que quero é tudo que sempre quis.
Ainda não fiz.
Olhar o céu negro pintado de esterlas.
Acompanhado.
De mãos dadas.
Mas estou preso.
preso pela distância.
E janelas fechadas me impedem de ver lá fora.
Sempre buscando atenção.
procurando pelo horizonte.
é só olhar para qualquer lado.
Posso ir olhar o céu agora
mas chorarei.
Pois então. mais um ano está acabando e qual a diferença? Um número. Alguns números. Menos tempo, supostamente mais experiência, mais gigabytes no meu HD... mais amigos (talvez menos amigos), algumas coisas mudam, outras não. Eu mudei? Ainda não pude olhar o céu do modo que quero, ainda não pude. Não mudei. Continuo sonhando e vou virar o ano chorando ao som de alguma música deprimente. Não mudei. "THIS IS YOUR LIFE AND IT'S ENDING ONE MINUTE AT A TIME".

004.014

Nada acontecia. Muito de vez em quando, as coisas saíam do controle dele e, aí sim, acontecia algo. No começo, as coisas aconteciam quando ele cansasse de esperar. Em certas ocasiões em que nada deveria acontecer, algo estranho acontecia. Ele ficava deprimido com os novos amigos por quem era acompanhado. No fundo, queria atenção dela. Talvez ele a tivesse, se a pedisse.
No final, ele não se lembrava de nada e, quando tentava escrever sobre tudo, saiam coisas sem sentido.

10.12.04

004.013

Tô com sono. Como se isso fizesse diferença. Dormir seria uma boa idéia. Pena que só me lembro disso quando é TARDE DEMAIS. O horário ideal já passou. E agora? Espero o próximo ou fico "irregular"?

9.12.04

004.012

Pra quando só ouvir "Eu também"
pra quando perceber que não vai conseguir NUNCA ser tudo que ela merece
Pra quando quiser ficar só olhando.
"Falar sem parar não é se comunicar."
quando se deve considerar terminado?
Com medo estou eu.
Se eu pudesse te apagar da minha vida, me apagaria.
                                                                    .pra variar.
Só só. Sou só e só.      Foi-se em pensar.
                                    Foi sem pensar.

6.12.04

004.011

Tudo escuro. Ando, e não vejo movimento. O horizone sob meus pés. Claustrofóbico. Sala escura. Mundo escuro. Ou seriam apenas meus olhos fechados?

004.010

Com isso, chega ao fim, mais uma idéia.
Se eu tentar colocar algo no papel, talvez saia isso que eu escrevo agora.
Cuide do que você é.
Mais uma vez, tentando traduzir alguma interpretação que faço de outra coisa.
Dicionário do lado pra achar rimas.
Música tocando pra achar inspiração.
Nada.

5.12.04

004.009

Restos dos anos 80 me atingem no rosto. Gosto do gosto. Gostaria mais se não fossem apenas restos no rosto. Matando formigas. Mantendo inimigas. Formentando matilhas. Exilando amigas. Aerosol e lençóis. Quente. Calor da lâmpada. Moscas.

3.12.04

004.008

Estrou preso em alguma contradição
Na claridade da escuridão
Na solitude da multidão
Na beleza da podridão
No maneta que tem mão
Na loucura do homem são
No silêncio do rezingão
Na covardia do machão
No tédio da ejaculação
Na importância do ato vão
Na rima da última frase

004.007

Tudo pronto pra viagem. Menos eu. Não tenho medo de não dar certo, só de não merecer... ando completamente sob pressão. Fico perdido, sem saber nada. Sempre sou assim, né? Pas si simple. Non? Non... Tô derretendo...