25.12.04

004.019

Olhou para o relógio. Saiu do banheiro suado e sem saber o porque de nada. Pensou em tudo que poderia mudar. Poderia evitar constrangimentos e adiantar prazeres. Mas algo já havia mudado. Com aquela ida a escola, não foi ao trabalha (que tinha na época em que estava). Se lembrou disso e foi até o ponto de ônibus correndo. Entou, pagou, sentou, chegou. Foi até a portaria e procurou o crachá na mochila, e o achou. Entrou e foi falar com o superviros sobre o atraso de quase três horas e meia.
- Com licença...
- Chegou agora?
- É...
- Justificativa?
- Fui.. na escola...
- Resolver problemas?
- É...
- Já foi ontem.
- Fui?
- Não se lembra?
- Devo ter ido...
- Foi ou não???
- Fui, fui...
- E hoje de novo?
- ... é?
- Tá... pega suas coisas. Tá demitido.
- Mas... não foi assim que aconteceu...
- No primeiro mês, duas faltas e três atrasos? Não... Pode ir embora.
- Não foi assim! Eu ainda nem viajei!
- Pegue suas coisas.
Saiu dali mais perdido. Não era assim! Ele ia ser despedido por atraso, mas não no primeiro mês! Iria receber o salário para ir viajar, mas, sem emprego, não iria mais. Chegou em casa sem saber o que iria dizer a sua mãe. "Mão, voltei no tempo, por isso fui demitido. Fala pro seu chefe tirar o dinheiro dele do Banco Santos pois ele vai falir no fim do ano". Não podia fazer isso. Seria levado para psiquiatras e essas coisas. Se deitou na cama. Pensou e pensou. Decidiu fingir que ainda trabalha. Lembrou de falar com o "amor" da época (que, no momento, não significava mais nada) que não iria poder ir, pois fora demitido, mas só poderia fazer isso mais tarde, quando os telefonemas eram mais baratos. Então dormiu. Acordou com a buzina de sua mãe no portão.