20.11.05

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Foi quando andava de carro por uma estrada, à noite. Havia uma curva e pensei em tudo. Tudo de errado, nada de certo. Estava vivendo de lágrimas. Fechei os olhos e pisei fundo. Soltei do volante e chorei mais. Tirei o cinto. Ouvi um som de metal contra metal e o carro voou. Voou. E ficou tempo demais no ar. Dizem que passa um flash da sua vida. Da minha, passava toda noite, antes de tentar dormir. Só chorei. E o carro voou por uma hora ou dois segundos, tanto faz, e caiu entre árvores. O volante girava e porta-luvas cuspia tudo que tinha dentro e eu chorava. A barra de direção veio em direção à minha coxa e não me lembro de mais nada. Acordei com a barra atravessada em minha perna. Saía pouco sangue, a pressão devia ser grande do ferro e minha pele. Não doía. O carro estava amassado por todos os lados e eu havia batido em uma árvore. Uma garota linda passou e disse "vamos?". Eu fui. Fechei os olhos e fui. Nunca mais chorei. Descobri que suicidas são mais merecedores do paraíso que todo o resto. Nós merecemos, já sofremos dmais em vida e devemos ser recompensados por exercer o máximo da liberdade. Estou mais feliz aqui.