6.2.09

Adaptação de Aleatoreidades (SIC)

    Na maior parte das vezes, as pessoas só repetem. Não inventam nada, apenas reaplicam as coisas. Piadas, expressões, padrões. Existe uma rara exceção de pessoa que cria suas piadas, suas expressões, mas tudo que fazem é adaptar aleatoriedades, de modo que fiquem engraçadas, dêem uma lição de vida ou o que quer que seja. Você pode pensar que alguém conta ótimas piadas, mas tudo que este tem é recurso para conhecer novas piadas. Tudo que ele sabe é contar as piadas de uma maneira engraçada. Você pode pensar que alguém surge com neologismos sagazes que realmente grudam na cabeça, mas tudo que ele fez foi ouvir alguém de outro círculo de convivência dizer e saiu transmitindo para qualquer um que se encontre em sua intersecção. Tudo isso acaba se tornando um círculo vicioso, chegando ao ponto que tudo volta para seu criador como se nem fosse mais criação sua. E ao ouvir, tal criador diz "eu que inventei isso" e acaba taxado de arrogante.
    Infelizmente, não se dá crédito a quem merece sob pena de perder credibilidade. Como correntes de e-mail. Textos horríveis que alguém escreveu. Mas este alguém, que a princípio tem medo de que não o leiam por ser de autoria praticamente anônima, coloca autoria de algum escritor famoso qualquer. Fernando Pessoa se for um pouco rebuscado e houver qualque menção a palavra amor, Luiz Fernando Veríssimo se for uma crônica bem humorada, Arnaldo Jabor se for uma crítica política. Mas, neste momento, todas as ideologias de tais escritores se perdem. Um texto que pende para a esquerda nunca poderia ser de Jabor. Um texto que clama por deus na vida moderna nunca poderia ser de Veríssimo. Um texto romântico de auto-ajuda nunca poderia ser de Pessoa.
    Atribuímos autoria à quem não merece. Para o autor, é um castigo por ter sua cria negada. Castigo também para aquele à quem se atribui, pois este pode ter atrelado à si textos que nunca escreveria, não por falta de capacidade, mas por não concordar com todas as idéias ali escritas.
    Piadas, textos, produtos. Tudo se perde na vida moderna pois todos têm acesso a tudo e nada é de ninguém. Direitos autorais? Pra quê? Ninguém mais pode viver da palavra.

30.5.08

A Garota Que Chorava Notícias

N.E.: Clique aqui para ler o texto.

31.8.07

Nano-Doe

N.E.: Clique aqui para ler o texto.

23.2.07

Polar-076

Eu me lembro do que eu queria desenhar.
Parecia EDITADO...

N.E.: Comentário posterior sobre este texto.

20.11.05

005.029

Foi quando andava de carro por uma estrada, à noite. Havia uma curva e pensei em tudo. Tudo de errado, nada de certo. Estava vivendo de lágrimas. Fechei os olhos e pisei fundo. Soltei do volante e chorei mais. Tirei o cinto. Ouvi um som de metal contra metal e o carro voou. Voou. E ficou tempo demais no ar. Dizem que passa um flash da sua vida. Da minha, passava toda noite, antes de tentar dormir. Só chorei. E o carro voou por uma hora ou dois segundos, tanto faz, e caiu entre árvores. O volante girava e porta-luvas cuspia tudo que tinha dentro e eu chorava. A barra de direção veio em direção à minha coxa e não me lembro de mais nada. Acordei com a barra atravessada em minha perna. Saía pouco sangue, a pressão devia ser grande do ferro e minha pele. Não doía. O carro estava amassado por todos os lados e eu havia batido em uma árvore. Uma garota linda passou e disse "vamos?". Eu fui. Fechei os olhos e fui. Nunca mais chorei. Descobri que suicidas são mais merecedores do paraíso que todo o resto. Nós merecemos, já sofremos dmais em vida e devemos ser recompensados por exercer o máximo da liberdade. Estou mais feliz aqui.

19.11.05

005.028

Mesmo sabendo que não virá,
eu espero.
A espera em vão da última peça
te mantenho na memória.
Só por que gosto de sofrer,
gosto de admirar pra não te tocar
te jogo pra longe,
só por não saber o que fazer
com tanta beleza que guarda
para outro alguém.
Perco os sentidos,
o que quero dizer
é que você me deixa com vontade de te ter,
mas sem te possuir.

005.027

Eu sei que nada nada nada nada que eu disser
vai mudar o que vê não sente por mim
Sei que não sou quem te visita
quando voce dorme e sonha
Um dia talvez me veja como eu
e não como um outro conhecido
Nada nada nada nada vai mudar
eu não posso nem te desejar
A esperança não está aqui
somente o nada nada vai me consolar.