Não consigo parar de não conseguir dormir.
Que fazer? Queria escrever algo,
pra ver se pego no sono
enquanto escrevo.
Sem nexo.
Penso, logo existo.
Os cantos da madeira
estão a queimar.
Quem conta as bordas da madeira?
Quem borda os cantos a queimar?
Sapatilhas amarelas e meias azuladas.
Deixando rastros brilhosos
na mão que te esmaga.
Eu não sou do mal, devia ter tocado fogo neles.
Onde a luz das estrelas impede a visão do novo dia.
Eu devo estar mal mesmo. Não quero mais furos.
Não há mais unhas a serem roídas,
nem palavras a serem escritas.
Não hoje.